• O século XXI sem Mariazinha

      Barbosa,Ana Mae (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
    • Imaginando otros futuros: niños y escuelas en contextos de pobreza en la Argentina de los noventa

      Redondo,Patricia Raquel (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Este artículo tiene como objeto abordar la relación entre la educación y la pobreza en la Argentina de los noventa, a partir de una mirada construida desde el campo de la investigación que reconoce los cambios cualitativos que se han producido en el país al configurarse nuevas fronteras de exclusión. Comprender cómo estos procesos de profunda pauperización atraviesan la educación implicó dirigir nuestra mirada a los sujetos que transitan y habitan las escuelas en estos contextos de extrema pobreza y, en particular, los niños. Para ello, se analizan fragmentos de sus historias de vida recogidos a partir de un estudio etnográfico realizado en una escuela en una "villa de emergencia" (llamada "favela" en Brasil y/o las "poblaciones" en Chile). Esta investigación nos permite indagar, conocer, comprender cómo las estrategias de supervivencia que llevan adelante cotidianamente los niños investigados se entrelazan con los significados otorgados a la escuela, tensionando en el presente la posibilidad de otros futuros. Los testimonios y su análisis nos habilitan a pensar a los niños/adolescentes y jóvenes nombrados como pobres, marginales y excluidos desde otras posiciones como sujetos con capacidad de "alterar lo dado" y situarse como constructores de otras realidades. Abonar esta perspectiva permite discutir que las nuevas fronteras de exclusión no clausuran las posibilidades de educar. Por el contrario, reconocer el lugar asignado a la escuela por parte de los niños investigados, en el orden de imaginar y proyectar otros futuros posibles, permite dar cuenta de la constitución de diferentes subjetividades e identidades no necesariamente inscriptas en relaciones subalternas establecidas hegemónicamente.
    • Roque Spencer Maciel de Barros defensor da escola pública

      Azanha,José Mário Pires (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
    • Professor Rubens Andrello

      Porto,Maria do Rosario Silveira; Fontanetti,Irani Garcia Xavier (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
    • Cultura e formação humana no pensamento de Antonio Gramsci

      Vieira,Carlos Eduardo (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Tomando por base a hipótese de que no âmbito do pensamento gramsciano existe uma indissociável vinculação entre conhecimento histórico, práxis política, luta cultural e formação humana, o artigo busca explicitar a sua reflexão sobre a formação do homem em sociedade como parte indissociável da sua teoria política. No sentido de evidenciar a pertinência dessa hipótese de leitura da obra de Gramsci, procura expor e interpretar as suas idéias à luz de um procedimento metodológico historicista que, supõe-se, possibilita situar os problemas teóricos, as idéias produzidas no passado, no âmbito dos seus contextos específicos de produção. As conclusões chamam a atenção para uma questão potencialmente relevante no âmbito da perspectiva gramsciana, ou seja, a possibilidade de, a partir de Gramsci, pensarmos uma teoria da formação humana que evite a redução da compreensão do processo formativo ao desenvolvimento intelectual do homem concebido isoladamente, da mesma forma que evite a pendular inversão, que entende a formação da personalidade de forma demasiadamente determinista, do homem como produto passivo do meio social. Gramsci pensa a questão da formação do indivíduo como uma função estratégica da política de implementação do projeto de uma classe, na perspectiva de se fazer hegemônica, como tarefa de uma vanguarda sobre a militância, como responsabilidade dos mais velhos perante os mais jovens, na perspectiva de criar formas mais avançadas de civilidade.
    • Os limites do sentido no ensino da matemática

      Fonseca,Maria da Conceição Ferreira (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Em Os Limites do Sentido (1995), Eduardo Guimarães analisa os esforços de se resgatar a questão da significação nos estudos lingüísticos como gestos de incluir, no seu objeto, elementos que Saussure deliberadamente excluiu: o sujeito, o mundo e a história. Já no artigo As possibilidades de inovação no ensino-aprendizagem da matemática elementar, Manuela David (1995) faz um apanhado das tendências do ensino de Matemática que lhe parecem mais expressivas, no Brasil, observando que todas elas, na busca de um sentido, ultrapassam os conteúdos matemáticos. Neste trabalho, parodiando o texto de Guimarães, tomaremos tais tendências atuais do ensino da Matemática (a resolução de problemas, a modelagem, o construtivismo, a etnomatemática e o que David chama de um ensino comprometido com as transformações sociais), visando identificar nelas esse movimento de busca de um sentido para o ensinar matemática, por meio da re-inclusão daqueles mesmos elementos excluídos por Saussure da Lingüística, e negligenciados por abordagens mais tradicionais da matemática escolar. A análise procura apontar como essa busca de sentido no ensino da matemática trilha um percurso análogo ao que Guimarães identifica nos estudos da linguagem: o esforço de re-incluir na abordagem da matemática escolar aquilo que dela foi tradicionalmente excluído: o objeto, o sujeito e a história.
    • Editorial

      Bueno,Belmira Oliveira; Carvalho,Marília Pinto de; Aquino,Julio Groppa (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
    • Basta implementar inovações nos sistemas educativos?

      Moreira,Adelson Fernandes (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Este artigo apresenta referências para melhor compreender a implementação de mudanças na escola, sistematizando-as a partir de um estudo sobre a Reforma do Sistema Educativo na Espanha e a implantação de um Currículo Nacional na Inglaterra e País de Gales, conjugado a revisões de pesquisas desenvolvidas nesse campo. A Reforma do Sistema Educativo espanhol tentou equilibrar o caráter prescritivo de diretrizes gerais com o caráter aberto da atribuição de cada escola elaborar sua proposta curricular, a partir de seu contexto e no marco das diretrizes propostas. Seu estudo contribuiu, sobretudo, para explicitar a diversidade de visões e posicionamentos que emergem do contexto de uma inovação. Essa diversidade é sintetizada na forma de seis diferentes tensões. A implantação de um Currículo Nacional na Inglaterra objetivou estabelecer um maior controle sobre a escola por intermédio de um currículo detalhado e prescritivo, associado à aplicação de exames externos como instrumentos de avaliação da escola por meio do desempenho dos alunos nos testes. No caso da experiência inglesa, são expostas análises fundadas em um conjunto diversificado de dados de pesquisa. Essas pesquisas apontam resultados desastrosos no contexto escolar, com o empobrecimento da prática pedagógica, predominando atividades preparatórias para os exames externos. Apresentadas as referências, a partir do substrato proporcionado por essas duas experiências, o autor conclui propondo ir além da perspectiva de implementar inovações em direção a processos de desenvolvimento profissional e institucional, que constituem, na escola, uma maior capacidade de produzir e interagir criticamente com propostas e contextos de mudança.
    • A situação brasileira do atendimento pedagógico-educacional hospitalar

      Fonseca,Eneida Simões da (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      A legislação brasileira reconhece o direito de crianças e jovens hospitalizados (CNDCA, 1995) ao atendimento pedagógico-educacional, durante seu período de internação. Esta modalidade de atendimento denomina-se classe hospitalar, segundo terminologia do MEC/SEESP (1994). A inexistência de teorias ou estudos desta natureza em território nacional gera, tanto na área educacional quanto na de saúde, o desconhecimento desta modalidade de ensino e integralização da atenção de saúde às crianças e aos jovens hospitalizados. Considerando este fato, o presente estudo realizou um levantamento nacional dos estados federativos que oferecem o atendimento de classe hospitalar e as formas como este é ministrado. No Brasil, há 39 classes hospitalares distribuídas e em funcionamento em 13 unidades federadas. Esse tipo de atendimento decorre, em sua maioria, de convênio firmado entre as Secretarias de Educação e de Saúde dos estados, embora existam classes hospitalares resultantes de iniciativas de entidades filantrópicas e universidades. Noventa e cinco professores atuam nessa modalidade de ensino, atendendendo mais de 2.000 crianças/mês na faixa etária entre 0 e 15 anos de idade. Abre-se, com este estudo, a necessidade de formular propostas e aprofundar conhecimentos teóricos e metodológicos, com vistas a, efetivamente, atingir o objetivo de dar continuidade aos processos de desenvolvimento psíquico e cognitivo das crianças e jovens hospitalizados. Faz-se necessária a elaboração de uma política voltada para as necessidades pedagógico-educacionais e os direitos à educação e à saúde desta clientela em particular etapa de vida quanto ao crescimento e desenvolvimento físico e emocional.
    • Educação, psicanálise e sociedade: possibilidades de uma relação crítica

      Batista,Sueli Soares dos Santos (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      O objetivo deste artigo é buscar, na relação entre psicanálise e educação, possíveis elementos que ultrapassem a psicologização dos problemas educacionais essencialmente de origem social, política e econômica. Entretanto, não se descarta o aspecto frutífero desta relação, que pode ser a utilização da hermenêutica psicanalítica aliada à crítica dialética da cultura. Ao nos apropriamos de uma leitura frankfurtiana do pensamento de Freud, procuramos mostrar a importância da psicanálise para a reflexão sobre a produção do conhecimento, sobre a relação professor-aluno e para a denúncia de posturas pedagógicas meramente adaptativas e não emancipatórias. Se a ambigüidade da formação cultural, e, em sentido estrito, da educação, não pode ser eliminada simplesmente com um esclarecimento terminológico, é tarefa da Teoria Crítica contrapor os conceitos à realidade. Portanto, formação cultural é a negação do que vivenciamos até então: semiformação socializada (Halbbildung) possível de ser apreendida na educação por meio de parâmetros pedagógicos que não têm aprofundado sua reflexão sobre a cultura e a teoria do conhecimento, sobre a democratização do ensino, a indústria cultural e os processos inconscientes existentes na relação escola-sociedade. Reivindicamos o esforço teórico em contraposição ao praticismo reinante nas intervenções feitas em prol da educação.
    • João Eduardo Rodrigues Villalobos

      Fétizon,Beatriz A. Moura (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
    • Cultura acústica e letramento em Moçambique: em busca de fundamentos para uma educação intercultural

      Lopes,José de Sousa Miguel (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      O autor parte da caracterização de uma cultura acústica, como a moçambicana, para, em seguida, fazer uma análise da importância das línguas maternas, um dos atributos culturais mais significativos de um povo. Para melhor contextualizar a temática que se propõe desenvolver, o autor apresenta, em traços bastante gerais, alguns dados históricos, políticos e sociais de Moçambique. Em seguida, indaga em que medida o poder político saído da independência levou em consideração os traços fortes da oralidade presentes nesta cultura, e de que modo tal política influenciou, ou não, o processo de letramento. A adoção da língua portuguesa como língua de ensino e a conseqüente rejeição, por parte do poder político, do estudo, sistematização e introdução das línguas moçambicanas nas primeiras séries, têm contribuído para o agravamento das taxas de analfabetismo e para perdas, quem sabe, irreversíveis das tradições orais, ao mesmo tempo que constitui uma desvalorização das várias culturas étnicas. A solução preconizada estará na introdução de um bilingüismo. Isto implica a transformação da língua de oralidade em língua escrita e a conservação de uma língua estrangeira como segunda língua. Esta segunda língua, sendo língua oficial, terá um papel importante em muitas áreas sociais, como a comunicação oficial do Estado, os contatos internacionais etc.
    • Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas

      Nóvoa,António (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Este artigo procura analisar a "realidade discursiva" que marca grande parte dos textos sobre educação neste final de século. A chave de leitura do artigo é a lógica excesso-pobreza, aplicada ao exame da situação dos professores: do excesso da retórica política e dos mass-media à pobreza das políticas educativas; do excesso das linguagens dos especialistas internacionais à pobreza dos programas de formação de professores; do excesso do discurso científico-educacional à pobreza das práticas pedagógicas e do excesso das "vozes" dos professores à pobreza das práticas associativas docentes. Não recusando um pensamento "utópico", o autor critica as análises "prospectivas" que revelam um "excesso de futuro" que é, ao mesmo tempo, um "défice de presente".
    • A história de Alda: ensino, classe, raça e gênero

      Carvalho,Marília Pinto de (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Este artigo analisa a trajetória de vida e a prática pedagógica de uma professora das séries iniciais de uma escola pública da cidade de São Paulo, tendo como referência o conceito de cuidado infantil. Tomado como expressão das formas que histórica e culturalmente assume a relação adulto / criança, o cuidado infantil pode ser definido, hoje, neste nível de ensino, como uma atuação do professor ou professora sobre aspectos extracognitivos do desenvolvimento de seus alunos, o que exige uma postura de envolvimento afetivo e compromisso com as crianças. Por meio de um estudo de caso de enfoque etnográfico, discute-se a presença do cuidado nos ideais e práticas pedagógicas de Alda, uma professora que não realizava plenamente essas prescrições. Trata-se, nesse sentido, de uma aproximação que permite revelar os limites de abordagens essencialistas, em que estão relacionados, linearmente, a feminilidade e aqueles ideais de professora. De um lado, acentua-se, aqui, o sentido plural das diversas formas de feminilidade, suas articulações com relações de classe e raça; e, de outro lado, indica-se que as prescrições de cuidado fazem parte de uma cultura escolar, produzida e reproduzida na própria instituição, mais do que em formas específicas de socialização feminina. A história de Alda indica a necessidade de discutir o racismo no interior das escolas, a começar do próprio corpo docente. E mostra que, se estamos convencidos da relevância das práticas de cuidado para o ensino, é preciso trazê-las, criticamente, ao primeiro plano nas discussões pedagógicas, para que adquiram legitimidade como parte de uma prática profissional.
    • Exclusão: problematizando o conceito

      Ribeiro,Marlene (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-06-01)
      Este trabalho resulta de indagações sugeridas pela pesquisa "Pedagogias de Esperança nos Movimentos Sociais Populares: Perspectivas para o trabalho, a política e a educação projetadas pelo MST", que vem sendo desenvolvida na UFRGS. Neste texto, problematiza-se o uso da categoria exclusão no que tange à sua potência para identificar se os movimentos sociais populares são capazes de romper processos de exclusão e encontrar alternativas de trabalho, de relações sociais e de educação. Entre as possibilidades de uso da categoria, encontra-se tanto o respaldo em Marx, quando este retraça a gênese da relação capital-trabalho, quanto a denúncia sobre a pobreza e a intolerância como constituintes da "nova questão social". O viés culturalista, a filiação à sociologia durkheiminiana e a imprecisão conceitual, entretanto, impõem limites à categoria, que não consegue alcançar a compreensão da pobreza e do desemprego como produzidos pela luta de classes. Portanto, não consegue apreender os movimentos sociais populares como produtores de alternativas solidárias para o trabalho, a sociedade e a educação.
    • Três versões do pragmatismo deweyano no Brasil dos anos cinqüenta

      Cunha,Marcus Vinicius da (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-07-01)
      O presente texto parte de uma caracterização em que o movimento escolanovista brasileiro é considerado como difusor da introdução de procedimentos científicos no campo pedagógico, como se a educação devesse subordinar-se às regras do pensamento e às descobertas obtidas pela ciência. Em seguida, mostra que essa caracterização descreve apenas uma das tendências do ideário educacional renovador, sendo que outra, desenvolvida marcadamente sob a influência de John Dewey, filósofo e educador norte-americano, apresenta norteamentos bastante diversos. Assim, analisa alguns artigos publicados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, órgão do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, INEP, nos anos de 1950. Tais artigos, de autoria de Anísio Teixeira, João Roberto Moreira e Luiz Alves de Mattos, entre outros, traduzem o ideário educacional renovador daquele período e expressam concepções fundamentadas nas idéias de John Dewey. Os temas debatidos por esses educadores brasileiros são agrupados, de maneira geral, em torno das seguintes categorias: democracia, liberdade, pesquisa sócio-educacional e planejamento educacional. Na análise desenvolvida, percebe-se que os autores expressam diferentes visões do mesmo pensador - John Dewey -, fato que é compreensível mediante o conceito de "recontextualização", originário das teses de Basil Bernstein, segundo o qual as teorias ou concepções filosóficas sofrem alterações, muitas vezes fundamentais, quando são convertidas em discurso pedagógico. Ao mesmo tempo que espera contribuir para melhor compreensão da presença do pensamento deweyano no Brasil, o presente trabalho também sugere a necessidade de maior aprofundamento quanto ao estudo dos processos recontextualizadores no campo educacional.
    • Origens e prospectiva do pensamento político-pedagógico de Paulo Freire

      Scocuglia,Afonso Celso (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-07-01)
      O artigo tem por objetivo examinar as relações entre educação e política ao longo da construção do discurso de Paulo Freire. Nesta perspectiva, são trabalhadas as ligações das propostas do autor com o nacional-desenvolvimentismo e o com o populismo nos anos de 1950 e 1960, indicando-se as principais influências teóricas que constroem o pensamento do "primeiro" Paulo Freire, especialmente as correntes existencialistas e personalistas que alicerçam seu pensamento cristão progressista e as influências de intelectuais do ISEB. A seguir, busca-se identificar a progressão teórica do autor, a começar das influências modificadoras de correntes marxistas. Um outro conjunto de influências teóricas - Marx, Hobsbawn, Goldman, Lukács, Gramsci, Sartre -, somadas a críticas e autocríticas, permitem identificar a instituição de um "outro" Paulo Freire, momento em que o discurso freireano é inundado pela preocupação com a "politicidade da educação" e com a "educabilidade da política". Neste sentido, discute-se a questão da inseparabilidade educação-política e suas especificidades. Finalmente, investe-se nas possíveis sínteses do pensamento do autor, esboçando um itinerário das origens e da prospectiva político-pedagógica de Paulo Freire. Inerente à construção deste artigo, está a convicção de estarmos tratando de uma das contribuições pedagógicas mais importantes do século XX e, como tal, de uma proposta educacional necessária ao nosso futuro como sociedade autônoma, esperançosa e dialógica, embora permanentemente indignada com as injustiças sociais e os direitos humanos negados ou violados.
    • Apresentação

      Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-07-01
    • Editorial

      Bueno,Belmira Oliveira (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-07-01)
    • Autonomia e formação humana em situações pedagógicas: um difícil percurso

      Mogilka,Maurício (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1999-07-01)
      Este artigo desenvolve uma discussão sobre o processo de estruturação da autonomia da criança em situações pedagógicas. Inicia buscando fazer a distinção entre os conceitos de liberdade e autonomia, posto que freqüentemente tomados como sinônimos. Estabelecer esta distinção é fundamental para explicitar o caráter não inato da autonomia, qualidade do ser que precisa de estruturação. Na abordagem teórica escolhida para esta discussão, de caráter interacionista, a estruturação da autonomia é encarada como um processo que precisa ser construído, entre a liberdade natural, inerente à natureza humana, e a capacidade da criança se auto-regular, na relação com as necessidades de seus semelhantes. Este processo é considerado aqui como resultante de um diálogo entre as potencialidades inatas da criança e os elementos externos ao seu eu: a cultura e as relações sociais. Quando esta interação não é coercitiva e nem permissiva, dar-se-iam as condições necessárias para a estruturação saudável do eu, isto é, o processo de formação humana, entendida no sentido mais rigoroso e pleno de positividade. A reflexão desenvolvida é fundamentada na pedagogia humanista, especialmente no pensamento de Rousseau, Rogers e Dewey. O texto conclui com uma visão positiva sobre as possibilidades de construção da autonomia, mas tenta mostrar, dentro dos seus limites e do seu horizonte teórico, que esta é uma possibilidade problemática. Isto se daria pela dificuldade do agir e do compreender democráticos em uma sociedade simultaneamente diretiva e permissiva.