• Política de interesses, política do desvelo: representação e "singularidade feminina"

      MIGUEL LUÍS FELIPE (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunica, 2001)
      O artigo discute diferentes estratégias de justificação da adoção de quotas eleitorais por sexo, com ênfase naquelas que reivindicam um estatuto moral diferenciado para as mulheres. Elas introduziriam um novo tipo de política, mais desinteressado e altruísta, reflexo do seu treinamento social como responsáveis pelo cuidado com os mais fracos (a começar pelas crianças). No entanto, essa "política do desvelo" ou "política maternal" termina por perpetuar a inserção subordinada das mulheres no mundo da política, na medida em que o cartão de ingresso é exatamente a negação da ação em defesa dos próprios interesses.
    • Pessoa e parentesco nas novas tecnologias reprodutivas

      Luna,Naara (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      O trabalho trata do universo de representações das novas tecnologias reprodutivas, refletindo sobre as implicações desses procedimentos para as noções ocidentais de pessoa e de parentesco. Tais técnicas incidem no modo ocidental de pensar a reprodução e o domínio da natureza. A abordagem sobre pessoa se detém em textos relacionados à figura do embrião extracorporal gerado por meio da fertilização in vitro. A análise do parentesco enfoca como as novas tecnologias reprodutivas reconfiguram as representações de parentesco e, reciprocamente, de que forma as concepções ocidentais de parentesco constituem a compreensão das tecnologias, levando em conta crenças ocidentais sobre a natureza enquanto fundamento da realidade. A pesquisa utiliza como material para análise matérias sobre novas tecnologias reprodutivas publicadas na grande imprensa brasileira entre os anos de 1994 e 2000.
    • Fazendo diferenças: teorias sobre gênero, corpo e comportamento

      CITELI,MARIA TERESA (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Desde o final do século XIX, quando Darwin publicou suas obras sobre evolução, muitas cientistas têm reagido adotando basicamente duas perspectivas: enquanto algumas negam o potencial das ciências biológicas para explicar arranjos sociais, outras reinterpretam estudos da Biologia sobre diferenças sexuais, admitindo que estes podem explicar comportamentos humanos e desigualdades sociais. Procurando entender de que maneira as diferenças sociais são atribuídas ao corpo humano, o presente trabalho discute vertentes teóricas da recente produção das ciências biológicas e das sociais que buscam afirmar ou negar a plausibilidade de teorias que invocam diferenças sexuais presumidamente localizadas no corpo (cérebro, genes e fisiologias masculina e feminina) para explicar possíveis variações das habilidades, capacidades, padrões cognitivos e sexualidade humanos. Registra ainda a repercussão de perspectivas essencialistas na agenda da mídia nacional e internacional.
    • Feminismo transnacional: re-lendo Joan Scott no sertão

      THAYER,MILLIE (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Os textos sobre a globalização costumam pintar um mundo totalmente dominado pelo fluxo do capital global, que nega a grandes setores da humanidade um papel na divisão internacional do trabalho. Passando dessa análise econômica à política e à cultural, alguns teóricos concluem que todo o sentido evaporou dos contextos locais, deixando os habitantes isolados, incapazes de articular suas próprias alternativas às agendas globais. No entanto, um trabalho de campo com um movimento de mulheres rurais brasileiras em um desses lugares "estruturalmente irrelevantes" encontra uma outra face da globalização, com efeitos potencialmente positivos. Essas ativistas locais criam sentidos numa rede transnacional de relações político-culturais que traz benefícios e riscos ao movimento delas. Ali, as mulheres rurais se envolvem com uma gama de militantes feministas, de localizações diversas, em relações constituídas tanto pelo poder quanto pela solidariedade. Elas defendem sua autonomia em relação às imposições dos financiadores internacionais, negociam recursos políticos com feministas brasileiras, apropriam-se dos discursos feministas transnacionais e os transformam. Nesse processo, as mulheres rurais se utilizam de seus próprios recursos, com base exatamente no caráter local do movimento, caráter cujo desaparecimento é lamentado pelos teóricos da globalização.
    • Capacitação de líderes femininas: reflexões sobre a experiência do IBAM

      COSTA,DELAINE MARTINS (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Partindo da experiência do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) na formação de lideranças femininas, e tomando como exemplo a Campanha Mulheres sem medo do Poder, realizada nas eleições de 1996, a exposição tece reflexões sobre os novos significados que o campo político adquire com as entradas das mulheres, e analisa as possíveis peculiaridades das mulheres no exercício do poder.
    • Pedagogias do corpo ou a constituição de bons-moços e boas-moças

      SAYÃO,DÉBORAH THOMÉ (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • "A Bela Esquina": gênero e feminismo

      Kofes,Suely (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • Feminismo e psicanálise, ainda...

      Lago,Mara Coelho de Souza (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • Herança e gênero entre agricultores familiares

      CARNEIRO,MARIA JOSÉ (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Entender as lógicas de transmissão do patrimônio familiar, particularmente no caso da terra, levando-se conta as diferenças de gênero, exige identificar os distintos papéis reservados ao homem e à mulher na dinâmica de reprodução social. A compreensão de tais lógicas distintas requer que investiguemos os diferentes signficados do patimônio territorial em cada contexto social e cultural. Embora a herança seja baseada na noção de consanguinidade, as regras costumeiras não reconhecem os mesmos direitos para todos os filhos. É precisamente sobre essas diferenças de que trataremos nesse artigo, particularmente no que se diz respeito às distintas práticas derivadas das identidades de gênero. Buscar-se-á entender a lógica das diferentes formas de transmitir a herança e sua relação com a reprodução social de famílias de agricultores familiares em duas regiões distintas: no municipio de Nova Pádua, na região de influência de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, e na região serrana do estado do Rio de Janeiro, município de Nova Friburgo
    • De uma política de idéias a uma política de presença?

      PHILLIPS,ANNE (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      A crescente preocupação com o tema da exclusão política desafia o entendimento tradicional sobre os mecanismos representativos, em especial a percepção arraigada de que a chave da boa representação política está no programa e nas idéias compartilhadas entre representantes e representadas/os - sem qualquer referência à identidade das/os representantes. Contra isso, cada vez mais é afirmada a necessidade de presença física dos grupos excluídos nos locais de decisão, o que se traduz freqüentemente na adoção de cotas eleitorais. Mas não se trata de escolher uma ou outra forma de representação e sim de, compreendendo os limites de cada uma, buscar um sistema mais justo que incorpore tanto idéias quanto presença.
    • Laboriosas mas redundantes: gênero e mobilidade no trabalho no Brasil dos 90

      GUIMARÃES,NADYA ARAÚJO (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      O texto aborda a mobilidade, no mercado formal de trabalho, de trabalhadores e trabalhadoras demitidos da indústria brasileira nos anos 90, destacando a importância do enfoque sobre os diferenciais de gênero para a melhor compreensão desse fenômeno. Com base em dados produzidos pelas empresas brasileiras para o sistema de informações e cadastro geral de admitidos e demitidos do Ministério do Trabalho e Emprego, retrabalhados em forma longitudinal (base Raismigra), o texto procura verificar se as trajetórias de mobilidade variam segundo o gênero, o setor da atividade (sua mixidade e a natureza da reestruturação) e o tipo de mercado regional de trabalho (mais ou menos formalizado) onde se busca o emprego.
    • Cenas da vida amorosa brasileira na modernidade tardia

      PIRANI,DENISE (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • Uma análise crítica do direito à diferença

      Nuernberg,Adriano Henrique (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • Para a re-inscrição das estórias do gênero no romance português contemporâneo

      FERREIRA,ANA PAULA (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • 8 de março: conquistas e controvérsias

      Blay,Eva Alterman (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      O Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin em 1910 no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores a 1970 este Dia passou a ser associado a um incêndio que ocorreu em Nova Iorque em 1911. Neste artigo procuro recuperar a história do Dia 8 de Março e as distorções que têm sido feitas sobre ele e sobre a luta feminista.
    • Ações e estratégias do CNDM para o "empoderamento" das mulheres

      JUREMA,SOLANGE BENTES (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Situando a temática do acesso ao poder como uma prioridade para a atual gestão do CNDM, a exposição traz um rápido diagnóstico da participação das mulheres no Executivo e no Judiciário e cita estratégias, ações e compromissos que o Conselho tem assumido, nas últimas gestões, com o fito de contribuir para o aumento da presenças das mulheres nos espaços de poder.
    • Transformando a diferença: as mulheres na política

      GROSSI,MÍRIAM PILLAR; Miguel,Sônia Malheiros (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
    • Potencialidades e limites da política de cotas no Brasil

      Araújo,Clara (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      A partir de um balanço sobre as eleições de 1996, 1998 e 2000, o artigo analisa o impacto das cotas sobre os resultados eleitorais, concluindo pela pequena eficácia dessa iniciativa sobre o acesso das mulheres ao legislativo brasileiro. Procura, então, identificar alguns fatores explicativos para esse processo, vinculados ao contexto e ao sistema político e eleitoral. Ao mesmo tempo, tece considerações críticas sobre as avaliações que procuram explicar tais resultados a partir da "resistência partidária masculina", concebida de modo genérico. Por fim, discute a importância de uma análise multicausal para a compreensão da participação política das mulheres.
    • A política de cotas na América Latina

      HTUN,MALA (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Tendo como pano de fundo o avanço na liderança das mulheres na América Latina, marcado pelo aumento do número de mulheres em cargos eletivos, pela adoção da política de cotas em muitos países e pelo crescimento do tema da igualdade entre mulheres e homens nos programas políticos, analisa-se a variação dos efeitos das políticas de cotas. Entre os fatores determinantes para os resultados destas políticas estão: a natureza do sistema eleitoral, com base em listas abertas ou listas fechadas; a existência ou não da norma de obrigatoriedade de posição competitiva das mulheres na lista partidária; e, finalmente, o compromisso partidário, no qual as políticas de cotas estão inseridas.
    • Gênero e cidadania: referenciais analíticos

      BRITO,MARIA NOEMI CASTILHOS (Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, 2001-01-01)
      Os temas propostos neste trabalho - cidadania e gênero - levam-nos a buscar referenciais de análise suficientemente abrangentes para que possamos dar conta da sua articulação. A idéia de cidadania e a construção de identidade de gênero têm sido definidas como um entendimento da sociedade que parte da definição de esferas dicotômicas, o público e o privado, responsáveis por uma desqualificação das mulheres no âmbito do político. O feminismo contemporâneo discute esta visão, criticando-a, e propõe novas abordagens que permitem integrar homens e mulheres nas suas relações, no desenvolvimento dos processos sociais.